Oggi-In-Poi.jpg
:: 30 de dezembro, 2006 ::
chave-de-fenda

aí então eu li algumas críticas sobre o novo cd da ana carolina. todo mundo falando sobre a tal música "eu comi a madonna", falando BEM, diga-se.
quando li que a letra desta música era maravilhosa, fiquei supercuriosa. na folha, na veja - todo mundo falando que ana carolina evoluiu muito como compositora, conseguindo fazer de uma letra de música uma verdadeira obra de arte.

vejamos a obra de arte.

Me esquenta com o vapor da boca
E a fenda mela

Pera. Pára tudo. A fenda mela? A FENDA MELA? Geeeeeeeeente isso é BEM PIOR que o "acordei toda babada", das Páginas da Vida. Foi Maneco que escreveu essa letra?
Continuando....


Imprensando minha coxa
Na coxa que é dela

Bom. Pelo menos rimou com "mela".

Dobra os joelhos e implora
O meu líquido
Me quer, me quer, me quer e quer ver
Meu nervo rígido

Ai. Vergonha alheia. Meu líquido. Nervo rígido. Groteeeeeeeeeeeesque.


É dessas mulheres pra comer com dez talheres
Hhahaha, já ouvi isso quando passei na frente de uma construção. Na hora achei legal.

De quatro, lado, frente, verso, embaixo, em pé
Roer, revirar, retorcer, lambuzar e deixar o seu corpo
Tremendo, gemendo, gemendo, gemendo

"69. Frango assado. De ladinho a gente gosta" = Tati Quebra-Barraco. Alguma diferença?

Ela tava demais
O peito nu com cinco ou seis colares
Me fez levitar em meio aos sete mares

Hm. Os sete mares ficam onde? Onde a fenda mela?

E me pediu que lhe batesse, lhe arrombasse, lhe chamasse
De cafona, marafona, bandidona
Fui eu quem bebi, comi a Madonna

Hahahahah. "Oi! Me arromba! Me chama de cafona!". HAHAHAHAHAHHAHAHA!
Sério. Cafona? Marafona? Bom, ninguém pode dizer que ela não foi "sacana", néam. (pegou, pegou?)

Chegou com mais três amigas, cinta liga,
perna dura, dorso quente
toda língua e me encoxou

Gente, Sabrina e Bianca não fariam melhor. Trust me.


Me apertou, me provocou e perguntou:
Quem é tua dona? Quem é tua dona?

Who's daddy? Uh?

É, é
Fui eu quem bebi, comi a Madonna
Fui eu quem bebi, comi a Madonna

Ok então, se você diz, quem sou eu para negar, não é mesmo?


E o pior, PIOR MESMO, é que vão dizer que é inveja.
Merda.



:: 28 de dezembro, 2006 ::
mensagem de fim-de-ano

Não, eu NÃO gosto do Oswaldo Montenegro, aliás muito pelo contrário.

Mas devo reconhecer a beleza deste poema, de sua autoria.

Achei maravilhoso.

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás?
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre?
Quantos você conseguiu preservar?

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?




:: 13 de dezembro, 2006 ::
da falta do ser

Sabe quando você olha uma palavra, ou diz o nome, até ela perder completamente o sentido? Eu fazia muito isso quando era pequena. Pegava uma palavra, por exemplo, "pente". E ficava olhando P-E-N-T-E. P-E-N-T-E. P-E-N-T-E. E ficava repetindo "pente", "pente", "pente", "pentepentepentepente". Chega uma hora em que a palavra fica estranha. Ela perde o sentido. Parece que você está falando uma palavra desconhecida, numa língua estrangeira, parece que você está falando algo que não compreende.

Pois é. Fiz isso comigo, este mês. Me analisei tanto, olhei tanto pra mim, pras minhas neuras, pros meus medos, pras minhas dores e desejos que eu quase sumi. Perdi o sentido, completamente. Caí no buraco. Meu nome não me pertencia, meu corpo me era estranho. Fiquei num lugar entre mim e eu mesma que já não encontrava - nem o lugar, nem o "mim" e nem o "eu mesma".

Enfim. Parei de me repetir, parei de falar meu nome, parei de procurar o buraco para me achar lá dentro.

Estou saindo. Mas tenham calma.



Acredito na força dos cavalos. Pocotó, sabe? Gosto da cor da laranja e do cheiro da baunilha. Sei que sentimentos têm força, a maior força do mundo. Não enxergo tudo o que quero, e minha miopia é metáfora disso. Amo até o fim, sempre, incondicionalmente. Acho que vou ser feliz, aos poucos. E nas touradas, sempre, sempre, sempre, torço pelo touro.
*
Feliz daquele que tem cavalos morando no peito.

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