a noite, um quadro negro.
as estrelas, palavras em giz.
do que estávamos falando mesmo? porque eu olho o teu rosto enquanto falas e teus olhos me fazem muito mais sentido do que tua boca. teus olhos que falam minha língua, mas falam também tantas outras, chinês, escandinavo, russo, braile.
não telefonas, não escreves, não perguntas. mas sabes de tudo. mas me sabes como ninguém mais. como ninguém jamais.
durmo tranquila. nas tuas noites-quadro negro-sem apagador, nunca. durmo tranquila nos teus olhos poliglotas e circunflexos. durmo tranquila. e tu também.