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:: 31 de outubro, 2006 ::

A brancura dói e cega, no começo. O cheiro do jasmim, aquele que você tanto pedia, enjoa. É estranho quando você se joga no mar e ele não te arrebenta. É estranho todos os oceanos serem o mar morto.


A Vida na palma da mão. É um rim em carne-viva, que não dói mas você sente e precisa cuidar. Você não consegue cancelar - ela morde o calcanhar, ela late, ela vem pra cima. E isso é lindo.



:: 09 de outubro, 2006 ::
sobre jumentos e sotaques

Aí hoje fui ao shopping e fui a uma loja para comprar a roupa nova de balé da Chiara. Tinha um par de óculos lindo, tipo Ray-ban tabajara, e eu comprei também. Paguei a conta e, na hora de ir embora, falei para a menina vendedora: "você colocou meus óculos junto na sacola?", ao que ela me respondeu: "quantos a senhora comprou?".
Juro.


jumento.jpg

*

Muito mais legal foi a história da Chiara, na escola. Ela contando, hoje, no carro.

- Mamma, minha amiga hoje me viu comendo um sanduíche de presunto e me perguntou: 'Isso não te engorda?'.
- É? E você respondeu o quê?
- Ah, eu respondi 'Não, isto não me engorda, isto me alimenta'.
- Muito bem, Chiara!
- É, eu respondi isso. Mas com um SOTAQUE de 'vai se foder'.

Achei genial.
Boa noite pra vocês. Com sotaque de boa noite, mesmo.



:: 06 de outubro, 2006 ::

A tua alma ali, estendida.

Cell003.jpg


Por sobre as folhas do livro, em cima da mesa feito toalha, enrolada no teu pescoço. A tua alma palpável. Pulsante.

Na tua boca vermelha, o sangue da tua alma. Na tua risada inadequada, o peso da tua alma. Quando você escreve "chorei", sem ter vertido uma lágrima, a letra é a da tua alma.

É tudo o que tens, agora.
A tua alma, cuspida. A tua alma, recidiva.
A tua alma.
Redimida.

(pulsando como inflamação. tumtum. tumtum. tumtum.)



Acredito na força dos cavalos. Pocotó, sabe? Gosto da cor da laranja e do cheiro da baunilha. Sei que sentimentos têm força, a maior força do mundo. Não enxergo tudo o que quero, e minha miopia é metáfora disso. Amo até o fim, sempre, incondicionalmente. Acho que vou ser feliz, aos poucos. E nas touradas, sempre, sempre, sempre, torço pelo touro.
*
Feliz daquele que tem cavalos morando no peito.

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