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:: 28 de julho, 2005 ::
há um ano Deus me ouviu
Meu Oggi fez um ano.
Há um ano Deus me ouviu.
Há um ano eu postei isso:
:: 28 de julho, 2004 ::
proposta
Olha só.
A questão é como um envelope em branco, agora, sabe? Estou colocando o envelope dentro da garrafa, eu, náufraga, a ilha aqui, debaixo dos meus pés, a areia quente que me amarela os ossos. E jogo a garrafa na primeira espuma de onda que vem me cheirar, farejar, reconhecer, cachorro-pastor de água, cachorro-pastor que me guarda, vai, leva, leva, leva pra pessoa certa, leva que te dou carinho.
E tenho esperança de que o envelope em branco vai chegar às tuas mãos, vai chegar, você ali, na outra praia, do outro lado, num barco, rindo e tomando sol, ouvindo música alto e olhando as pernas que passam. Mas você vai olhar a garrafa e as iniciais do seu nome vão estar lá, escritas em vermelho, como estão já aqui dentro do meu peito, a pata do bicho em alto relevo, aqui dentro, na garrafa, meia de mim, ali. Em água e sal.
Você sabe meu nome. Você até sabe falar meu sobrenome.
Ainda lembra do endereço?
Sobe no perdigueiro do mar, no perdigueiro que me caça, e vem, vem logo.
Porque aqui não tem sombra de dia. E a noite não existe.
Não existe.
Meu Oggi continua aqui. Meu cão-perdigueiro não me falhou, os cavalos não me falham nunca, o touro continua forte e eu torço sempre por ele; ele se espeta, ele sangra mas ele continua lá, forte. Deus existe, e quem me conhece entende o porquê destas palavras.
A noite não existe mais.
Aqui não tem mais sombra nem de dia.
Agradeço de coração aos meus tantos amigos (Mama, Litcha, Madeo, Nuccia, Mau, Nitcha, Erikota, Siloca), em cujas palavras doces me segurei por tanto tempo até minha garrafa chegar às mãos certas.
Minha garrafa foi lançada há um ano, e pelas mãos Dele chegou às mãos dele.
E se isso não é perfeito alguém me explica perfeição.
Rico. Obrigada por receber minha garrafa e todos os sonhos que vieram com ela. Por saber meu nome, por saber falar meu sobrenome, por não apenas lembrar meu endereço mas também estar nele quando eu cheguei.
Te amo, menino. E tuas iniciais, essas sim, estão gravadas no magma da minha alma e o cheiro doce de prasempremente é o que já me faz dormir na pedra quente do amanhã.
poisoned jewel
porque há uma semana eu perdi meu anel. o anel que eu mais usei na vida. que eu ganhei com quinze anos de idade, meu anel de prata e de concha.
sempre pensei que esse eu nunca iria perder. que ia ser a única coisa que restaria de mim quando eu fosse velhinha, sabe. mas perdi.
e então faz dois dias que não durmo porque não conto noites com pesadelo. noites completamente cheias de pesadelo, são bichos que me devoram e eu que me machuco, são dores e dores que não passam. são medos que engolem.
o lado bom é que eu matei a vaca no sonho, matei envenenada, e ri muito, no sonho. e quando acordei ri também.
pesadelo deve servir pra alguma coisa, afinal.
mas meu anel de prata que eu perdi, o que significa? sempre penso que quando eu perco um anel ou um brinco é sorte. mas não valia pra esse, sabe. não valia. fate is irony, sometimes. and always with me.
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"The jewel you lost was blue" (Ted Hughes)
:: 25 de julho, 2005 ::
fim de semana
um pouco mais de quarenta e oito horas de muito verde. de vários tons. tantos tons de deixar tonta a mais centrada das pessoas. não é o meu caso, o que já diz muito sobre como eu fiquei. tantos cheiros, eu me lembro de ter dito "o cheiro do eucalipto misturado com o do musgo e o dos cavalos me dói os ossos do rosto". muito sol de arder na pele, muita água em vários lagos, todos turvos de chuva.

e o pêlo do cavalo branco, o cavalo branco que arfava e olhava para os portões por onde passava, para o cachorro preto que latia, para o bar que ostentava a placa onde tinha escrito "Tulbaína", assim, com "L", para as pedras da estrada embaixo da gente, para a baia para onde voltamos a galope, ele olhava para tudo, ele, o cavalo branco, que foi meus olhos por uma hora, ele que foi meus olhos, minhas pernas, meus ouvidos, minha vida inteira ali, por uma hora.
por uma hora eu fui um cavalo branco.
e meu nome era Drago.
:: 22 de julho, 2005 ::
rico

love I get so lost, sometimes
days pass and this emptiness fills my heart
when I want to run away
I drive off in my car
but whichever way I go
I come back to the place you are
all my instincts, they return
and the grand facade, so soon will burn
without a noise, without my pride
I reach out from the inside
in your eyes
the light the heat
in your eyes
I am complete
in your eyes
I see the doorway to a thousand churches
in your eyes
the resolution of all the fruitless searches
in your eyes
I see the light and the heat
in your eyes
oh, I want to be that complete
I want to touch the light
the heat I see in your eyes
love, I don't like to see so much pain
so much wasted and this moment keeps slipping away
I get so tired of working so hard for our survival
I look to the time with you to keep me awake and alive
and all my instincts, they return
and the grand facade, so soon will burn
without a noise, without my pride
I reach out from the inside...
:: 21 de julho, 2005 ::
o silêncio das ovelhas
As coisas são amarelas e vermelhas e laranjas, estes dias, um turbilhão que me tira do foco, dentro de mim
Mas é muita coisa, é coisa demais às vezes, é coisa demais - o lilás vem mas não tem mais espaço pra ele, não tem espaço porque já está tudo tomado.
Eu queria mesmo era um pouco de silêncio. Não, eu queria mesmo era um dia inteiro do mais puro silêncio, do mais puro deles
O silêncio mais puro dos silêncios, dos silêncios, de todos os tipos de silêncios que já existiram nesse mundo, do silêncio mais puro do mundo da Turquia, do silêncio turco -
aquele que fez com que a primeira ovelha pulasse do penhasco
Não que eu fosse pular. Eu não pularia, jamais (hoje não)
Mas o ímpeto, sabe? O ímpeto. O ímpeto da primeira ovelha.
E o amortecimento das outras.
Era isso o que eu queria.
O silêncio impetuoso, lilás, turco. O silêncio da primeira ovelha.
Hoje.
:: 19 de julho, 2005 ::
do´s and dont´s
não pode:
baldwins (todos eles) * saia curta com bota de bico fino * meia cor da pele * sutiã de alça de silicone * bon jovi * cabelo sujo * mariana ximenes * "meia" cansada, "menas" coisa, eu tinha "pego", "chego", "à partir", "cú" etc. * gilmore girls * topetinho com gel em meninas * vacas sonsas * homem de boca fina * homem de mão pequena * homem de narizinho e/ou rostinho de moça * gente ki ixcrevi axim * gente que não entende filme bom * gente que só vê filme bom * menininhas frescas * mulher burra * zeca baleiro / otto / lenine * ana carolina e suas letras feministas * feminismo * sertanejos em geral * sidney sheldon * fazer o que está na moda porque está na moda.
pode:
botas sempre * gente culta * vontade * não passar vontade * homem com cara de homem * mulher com jeito de mulher * filmes bons * filmes trash * dr. carter do ER * aidan do sex&the city * jordan catalano do my so-called life * damien rice * boa poesia * poemas sem rima * leoni * nasi * cyndi, always * ted hughes * closer * homem grande * meia arrastão * roupa preta * cabelo que muda a cada semana * cachoeira * pedras quentes * cheiro de baunilha * perfume gloria * cavalos * fazer o que se quer porque se quer.
:: 15 de julho, 2005 ::
volontà
As vontades severas.
Vontades dóceis, sim, reluzentemente alegres até.
Mas pétreas. Um teor de desejo que só aumenta, que une.
Que não desagrega.
Vontades em forma de lanças e nunca de escudos.
Que se batem e se moem e se arrancam para se lançarem de novo.
É esse tipo de vontade que me acende.
É esse o tipo de paixão que eu conheço.
E nenhum outro.
E é no teu peito que eu fecho os olhos e me carrego, a mim mesma, para longe dessa terra sem estrelas. E é no teu peito, amor, que viro pedra novamente.
Petra, meu nome. Diz baixinho. E dorme agora.
:: 14 de julho, 2005 ::
gentle gentle gentle
If I could tear my heart and keep it miles apart from love of beast or man and never give a damn... if I could learn to lie and never show my pride I'd be just like the rest - be someone I detest
Se eu pudesse arrancar meu coração e mantê-lo a salvo do amor de animais ou de homens e nunca ligar a mínima... se eu pudesse aprender a mentir e a nunca mostrar meu orgulho eu seria igual ao resto - seria alguém que eu detesto

I'm always looking for the sun
I'm always looking for the sun to shine
I happen to be free
:: 11 de julho, 2005 ::
closer

Where is this love? I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it. I can hear some words, but I can't do anything with your easy words.
:: 06 de julho, 2005 ::
marocas
por que amo minhas amigas...
Ale Siedschlag diz:
ontem estava discutindo com uma amiga minha sobre a pena de morte das pessoas que usam sutiã com alça de silicone
Ana diz:
ahahahahahahahahahahhahha...ainda bem q eu NUNCA tive um
Ale Siedschlag diz:
puta que pariu. só me diz o PORQUÊ
Ale Siedschlag diz:
tipo... é pra fingir que não existe?
Ale Siedschlag diz:
ele existe porque:
Ale Siedschlag diz:
1) ou ele BRILHA no sol
Ale Siedschlag diz:
2) ou ele faz teu braço ficar deformado, a pessoa olha e não vê o sutiã mas vê que o braço tá deformadão por conta da alça que aperta.
Ale Siedschlag diz:
QUAL O FUCKING POINT????
Ana diz:
é assim mesmo... eu até tenteu usar com blusa de alcinha mas não consegui, passei pra frente
Ale Siedschlag diz:
porra!
Ale Siedschlag diz:
tipo... é o mesmo sentido de MEIA COR DA PELE
Ale Siedschlag diz:
ou seja: NENHUM
Ana diz:
isso é de fuder...desnecessário!
Ale Siedschlag diz:
ou rinsagem da mesma cor do cabelo "pra dar um brilho", saca?
Ana diz:
AHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHH....AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHHHAHAHA
Ale Siedschlag diz:
meu, sutiã PRETO com alça à mostra, meia arrastão, cabelo vermelho, vai DAR
Ana diz:
podre!
Ale Siedschlag diz:
GET A LIFE
Ana diz:
UHUUUUUUUUUUUUUU
Ale Siedschlag diz:
acho que agora quem vai publicar essa porra sou eu
Ale Siedschlag diz:
HAHAHHAHAHAHA
Ana diz:
manda ver!
:: 05 de julho, 2005 ::
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Muita coisa acontecendo. E quando coisa demais acontece eu não sei fazer nada, eu fico parada e um zilhão de pensamentos na cabeça me atordoam.
E isso adoece, às vezes.
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Não adianta eu tentar relaxar olhando pro céu e contando estrelas. Eu nunca consegui, por mais que isso fosse minha diversão quando criança (yeah, sempre fui apaixonada por estrelas desde criança). Quando eu percebia, estava deitada sobre a esteira, em cima do gramado, lá em Ilhabela, altas horas da noite, "um milhão duzentos e trinta e seis, um milhão duzentos e trinta e sete, um milhão duzentos e... perdi a conta. um, dois, três".
*
*
*

Contar estrelas pra quê?
Satisfazer-me em admirá-las.
Este me é o grande desafio.
:: 01 de julho, 2005 ::
clientes, blé.
Quando eu escolhi ter um home-office foi pra isso também. Pra não ter que ter contato pessoal com cliente, sabe.
Aí então eu mandei uma nota fiscal faz mais de um mês. E o cliente não me pagou. E eu liguei e fiz barulho e ele mandou que eu fosse lá "pra me conhecer".
Yeah right. Me conhecer, como assim, Bial? "Vem cá, te conheço?". É isso? Trabalho pra empresa há seis anos, como assim "me conhecer"?
Well, o horário também não ajudou. Nove da manhã. Ninguém que realmente me conheça marca um horário de reunião comigo às nove da madrugada, you know. Ele marcou.
Fui. Um par de óculos escuros maior que minha cara, cabelón, botas. Pronto. Assim talvez ele me reconheça, não é?
Não. Ele não reconhece. Um cliente meiqui hippie. Puta empresa linda. Cheidi pôsteres, cheidi computadores, vidros. Dono da empresa cabeludo, cheidi pulseirinha colorida.
Me colocaram na sala de reunião. Me deram jornal pra ler, cafezinho, aguinha. Cadeiras de couro, mesa de mármore. Cliente cabeludo cheidi pulseirinha de corda me chama depois de vinte minutos.
"Veja bem", ele diz. "Tivemos alguns problemas. Estamos reestruturando a empresa. Quero conhecer as pessoas que trabalham pra mim. Você trabalha pra mim há quanto tempo?"
Eu respondo: "Lembra aquele livro tal? (digo o nome do livro)"
Ele: "Puxa, isso faz uns dez anos, foi antes dessa empresa"
Eu: "Pois é. Foi meu primeiro trabalho pra você. Antes dessa empresa"
(Engole a vontade de dizer "so pleeeeeeeeeeeeeeeease me poupe dessa bullshit toda e me paga, feladaputa")
Cliente meiqui hippie chama o diretor financeiro. Meiqui fedido. Pulguento, cara de. Gordo, corrente de ouro. Coisa estranha. Fedido me empurra um relatório. Eu declino. "Não, obrigada, estou de regime", vontade de responder. Vou ler relatório? Me paga, seu puto. E vai tomar banho (literally).
Cliente meiqui hippie diz "O patrocinador vai pagar no dia 30 de julho". Say whaaat? 30 de julho? Mas nem por um carvalho, filhão. Pego um livro que está dentro da minha bolsa, que ganhei de um outro cara da empresa, amigo meu, revisado por mim. Cliente meiqui hippie diz: "Pô, esse guia ficou bom à beça, hein?". Eu digo: "Não ficou? Pois é. Eu revisei sozinha. E, guess what? Não recebi ainda".
Acho que aí ele entendeu. Prometeu que segunda-feira o dinheiro está em conta.
Volto pra casa com a certeza de que diplomacia política eu não tenho, nunca tive. E que amo com força o que eu escolhi pra fazer da minha vida.
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Acredito na força dos cavalos. Pocotó, sabe?
Gosto da cor da laranja e do cheiro da baunilha.
Sei que sentimentos têm força, a maior força do mundo.
Não enxergo tudo o que quero, e minha miopia é metáfora disso.
Amo até o fim, sempre, incondicionalmente.
Acho que vou ser feliz, aos poucos.
E nas touradas, sempre, sempre, sempre, torço pelo touro.
*
Feliz daquele que tem cavalos morando no peito.
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