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:: 24 de fevereiro, 2005 ::
tirem as crianças da sala...
...esse post contém linguagem imprópria para menores.
Então eu me lembrei de que quando eu tinha dezoito, dezenove anos eu estava fazendo o curso avançado de inglês na União Cultural. E lá na escola tinha um cara que era assim um absurdo de lindo, um moreno com seus metro e noventa e tantos de altura, queixo quadrado, forte à beça, um dos caras mais lindos que eu vi - até hoje (pô, lembro direitinho do cara, olha só).
E aí um belo dia ele chegou e me convidou pra sair. Eu quase tive um treco, imagina isso, e nem respondi na hora. Ele me ligou várias vezes, e enfim, tá, vamos sair.
A gente se encontrou num restaurante de shopping. Ele chegou todo lindo, arrumadérrimo, perfumadíssimo, um negócio. Sentou, papo vai, papo vem, conversamos à beça, e ele além de tudo era bem inteligente. Ele me diz "Ale, faz tempo que eu queria sair com você, preciso te falar umas coisas a sério, acho que você é a pessoa certa". Nessa hora eu já não me surpreendia com mais nada, e falei "Diga, Rodrigo" (putz, eu lembro do NOME dele, imagina).
Ele disse: "Se você pudesse ter qualquer coisa no mundo, o que seria?". Eu respondi, na lata "Amor, né" (dã).
Continuou: "Não, não, Ale. Algo de material. Tipo casa, carro, o que você ia querer?"
Nessa época eu trabalhava pra burro, dava aula de inglês à noite, estava com meu primeiro carro, vivia com a minha mãe, sei lá, não conseguia pensar em nada assim que eu QUISESSE muito (tá, a não ser amor. dã).
E ele insistiu, insistiu, eu imaginei que talvez fosse um daqueles testes idiotas, dependendo da resposta ele me analisaria, sei lá, falei "Afe, sei lá, um... um... Mitsubishi Eclipse". Vejam só. Além de piegas eu também era brega.
Bom, fiquei esperando pela resposta do rapaz, quando ele me abre um sorriso... eu correspondo com um sorriso... ele movimenta as mãos, eu já estava pra fechar os olhos e esperar o beijo. Ele pega uma pasta (!) preta (!); abre (!) e tira um monte de papéis (!!!).
"Pois bem, Ale! Seus problemas acabaram! Com AMWAY você pode ter tudo isso (tudo isso o quê, ô mané?) e muito mais!"
Silêncio constrangedor. Dez, quinze segundos.
Eu, finíssima, levanto da mesa. Devia estar branca (me conheço). Olhei bem nos olhos dele, sorri, e perguntei
"E, Rodrigo, vem cá, posso ter mais um desejo?"
"Lógico, Ale! Com Amway você pode tudo!"
"Ah, tá. Então desejo que você vá tomar no cu!"
**********************************************************
Hoje rio muito dessa história. Na época me fez chorar de raiva, muito. Especialmente quando eu lembrava da namorada dele, uma puta modelo absurdamente perfeita que vinha andando na direção dele enquanto eu me afastava, pisando duro com as botas pretas no chão do shopping.
:: 23 de fevereiro, 2005 ::
Que eu sou gota de mercúrio,
dividida,
desmanchada pelo chão...
(C.Meireles)
Tua mão esquerda pousada na minha fronte, certa, forte,
Fechando meus olhos pra tudo o que não há
Tua boca que murmura palavras desconhecidas
E que eu entendo - todas. E já.
Suave declínio de tantos impérios, assim, areia
Que cai em grãos por entre os dedos
E é tudo tão frágil e é tudo tão branco
E é tudo tão muito que cega e incendeia
Fecha a janela, agora, escurece
Pois que nada nesta noite pode enluarar agora
O sol que tenho dentro do peito - eu arranco
E ponho em tua mão esquerda. (A lua cresce, lá fora.)
:: 20 de fevereiro, 2005 ::
o casamento da minha melhor amiga
Dois dias maravilhosos, com duas amigas lindas. Não tenho palavras agora para descrever, então vou contar com fotos.

Adoro gente com alma de artista.

Amo minha Soul-Sistah. De todo meu coração.

A noiva e o mar.

O buquê e o champagne.

A cor e a outra cor.

O vento e o mar.

O gato que grita (muito).

Ale e a felicidade.
:: 17 de fevereiro, 2005 ::
Vita Chiara

Mamma te falou, principessa mia. Espera. Espera que puxa, no final tudo dá certo, quando o amor de verdade está aí.
E você, mocinha linda, minha mocinha, esperou. Esperou, esperou, em alguns dias até chorou um pouquinho. Mas esperou como uma principessa de verdade faz, sabe.
E olha só. Papai do Céu que te ama tanto (ah, Chiara, como Ele te ama) sorriu de ver você esperar tão bonitinha. E abriu os braços pra você. E pra mim. E abriu o sorriso pra você. E pra mim. E iluminou a nossa estrada.
Vem, filhota. Me dá um abraço como só você pode dar. Aquele abraço com gosto de Sol que você guarda ali, embaixo dos teus sonhos com princesas, barbies e cachorrinhos bonzinhos.
É só o começo da nossa vida.
Te amo pra sempre. Pra sempre. E mais um dia.
Mamma.
Just a little lamb who´s...

(Wladyslaw Wankie, Lonely Woman in a Park)
Porque hoje nada que eu fale traduz os gritos daqui de dentro.
Posso afirmar que não conheci raiva por 33 anos e meio.
Ela calça um sapato só e dá pra ver o rabo preto arrastando por baixo do colete.
De qualquer jeito, eu cantaria agora Someone to watch over me, só pra ver se eu acredito de novo.
Mas duvido.
:: 15 de fevereiro, 2005 ::
good times
:: 14 de fevereiro, 2005 ::
PANE
E foi aí que minha casa entrou em pane, surtou. Ficou tudo escuro, todas as lâmpadas resolveram queimar no espaço de, digamos, duas semanas. E são muitas muitas lâmpadas, a casa típica de quem morre de medo do escuro.
E puxa, eu trabalho muito à noite, digito, traduzo, e estou com um livro novinho em folha pra traduzir, mas cadê tradução só com a luz do PC? No way.
Chamei-o, o herói-eletricista.
*
Ele veio, eu expliquei que não era pra consertar consertar, porque eu vou mudar em, sei lá, uma semana?, mas que era pra dar um jeitinho. E ele desenroscou lâmpada (é assim que se diz?), enroscou (acho que não é assim) lâmpada, abriu a caixa, não-sei-o-quê do disjuntor (afe), tilt geral, sentença: curto-circuito.
Ele não consertou consertou, mas no fim eu tinha onze lâmpadas queimadas, ali, mortinhas da Silva, aos pés do herói-eletricista.
Substituí uma por outra, agora tenho acho que um terço das lâmpadas ligado. E justo agora vou até lá fora e...

Que alento, que doçura, que poesia em forma de céu.

Que vergonha a minha, sabe.

Medo do quê, ô garota? E é então que eu apago todas as luzes, tiro mil fotos e fico ali, encostada no murinho do solarium (alô, Nitcha), pensando nos medos que são como lobos que nos mordem a garganta num assalto... mas depois a gente acorda e vê a lindeza da coisa.
Thanks, God.
:: 12 de fevereiro, 2005 ::
como assim viciada?
Pô, não tenho idade mais pra isso não. Sou uma senhora prestes a lançar seu livro, de apartamento novo, cabelón compridón e vermelhón à la malvada spiller da novela e pronto, quando achava que não me faltava mais nada no mundo, viciei.

MAIS

MAIS

IGUAL A
Uma senhora escritora/tradutora/revisora desesperada porque precisa emagrecer até o casamento de sua soul-sistah do qual será madrinha e sente que, apesar da UMA HORA diária de aeróbica MAIS musculação, nada mais fará sentido sem a cotidianeidade da receita da felicidade, REFRIED BEANS mais NACHOS mais TABASCO.
Oh, boy.
:: 10 de fevereiro, 2005 ::
ah como eu gosto disso!
Direto do Café Paris pra cá. Adoro essas coisas.
Três coisas que me assustam:
- Escuro
- Elevadores parados
- Tempestades com raios
Três pessoas que me fazem rir:
- Chiara
- Madeo
- Carla (minha irmã)
Três coisas que eu amo fazer:
- Dançar
- Ver filmes e reality shows
- Cantar no karaoke
Três coisas que eu odeio:
- Fila
- Porta giratória
- Pessoas com frases/respostas/conselhos prontos
Três coisas que eu não entendo:
- Como alguém pode gostar de bebida amarga tipo tônica/cinzano/campari etc.
- Política
- Beisebol/Futebol americano
Três coisas em cima da minha mesa:
- Controle remoto da tv
- Muitas muitas muitas canetas
- Muitos muitos muitos papéis
Três coisas que eu estou fazendo agora:
- Carinho nos meus cachorros
- Pensando que horas devem ser agora
- Postando
Três coisas que eu quero fazer antes de morrer:
- Ir pra Italia de novo algumas vezes
- Ver Chiara adulta, independente
- Conseguir ajudar o maior número possível de pessoas
Três coisas que eu sei fazer:
- Dançar ritmos europeus (dança de salão)
- Churrasco
- Conciliações
Três maneiras de descrever minha personalidade:
- Expansiva
- Sarcástica
- Apaixonada
Três coisas que eu não consigo fazer:
- Correr
- Racionalizar sentimentos
- Assoviar com os dedos na boca
Três bandas/cantores que eu acho que você deveria ouvir:
- Cyndi Lauper (novos discos)
- Orishas
- Cantores italianos como Michele Zarrillo, Mina, Fausto Leali
Três bandas/cantores que eu acho que você NUNCA deveria ouvir:
- Latino
- Kelly Key
- Qualquer uma do tipo "vai descendo na boquinha da garrafa"
Três coisas que eu digo freqüentemente:
- Afffff-i-ão
- Ahn-han, ou-quei
- Não é?
Três das minhas comidas favoritas:
- Churrasco, sem dúvida
- Grãos integrais
- Comida japonesa
Três coisas que eu gostaria de aprender:
- Alemão fluente
- Correr e GOSTAR de correr
- Segurar a boca (pra comer e pra falar)
Três coisas que eu bebo regularmente:
- Coca-light
- Guaraná diet
- Água de coco
Três programas de TV que eu assistia quando era pequeno:
- Vila Sésamo
- Manda-chuva
- Bambalalão
:: 04 de fevereiro, 2005 ::
Sobre hoje
"Tira-me daqui", acho que estas foram as palavras mais constantemente ditas na minha vida. E adiantou de quê? Ninguém me tirou, mas eu mesma me tirei tantas vezes, eu mesma, nascendo comigo, jantando comigo, casando comigo mesma, e olha só, estou no mesmo lugar.
Palavras, apenas, estou no mesmo lugar, o lugar onde eu comecei tudo. Comecei? Tudo?
Ah, tudo meio cinza e meio laranja, eu que não suporto meios-termos, eu, a mulher dos extremos, não é mesmo? Você sempre me disse isso, você-você-sabe-quem, eu, a mulher dos oito ou oitenta, aqui, ainda. E você lá, acolá, talvez.
O cheiro, beibe. O cheiro está aqui, agora é com um outro você com quem falo. Você com o cheiro e a risada boa; você que olha e olha de verdade; você que se alça e se lança.
Ou eu me lanço com você, ou eu aprendo a amar o aqui.
Nem um nem outro? Os dois?
Não sei de mais nada, nem sei da querência, nem sei de mim mesma.
Assim seja, amém.
:: 03 de fevereiro, 2005 ::
Hoje mesmo
O jeito que você arruma seu cabelo procurando aquele efeito que o mundo não quer reparar:
- revela tanto.
E o tempo que demora para decidir se aquilo que está ouvindo é convincente para poder
Concordar
- e me deixa esperando.
Eu posso esperar
Assim que eu entro já no cumprimento eu reconheço as múltiplas perguntas que na ausência entram em meu lugar
Seus olhos fitam com medo.
A única certeza que eu tenho é absurda pois a dúvida sustento - por que não me mudar
Pro seu apartamento
Hoje mesmo
Hoje eu vou sair por aí anunciando que o Sol não vai mais se deitar
As plantas gostam de chuva mas por você nem mesmo as nuvens teriam razão de haver em nenhum lugar
Não…
Não…
Não tenha medo!
O nosso amor é essencial
Nenhum amor é imortal
Eu gosto de você!
Se um gênio perguntasse quais seriam os meus três desejos o primeiro: pediria ao tempo voltar pra trás
- pra te ver aos dezesseis anos
Não há idéia que alcance ou seja parecida com a imagem da menina esguia, a bolsa a tiracolo
- e as pedras só pesando
Pois ela nunca irá jogá-las!
O seguinte, segundo desejo, emoldurar no céu o seu sorriso que eu pensei que nunca mais pudesse reencontrar
O filho é que cria a mãe
(N. Reis)
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Acredito na força dos cavalos. Pocotó, sabe?
Gosto da cor da laranja e do cheiro da baunilha.
Sei que sentimentos têm força, a maior força do mundo.
Não enxergo tudo o que quero, e minha miopia é metáfora disso.
Amo até o fim, sempre, incondicionalmente.
Acho que vou ser feliz, aos poucos.
E nas touradas, sempre, sempre, sempre, torço pelo touro.
*
Feliz daquele que tem cavalos morando no peito.
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