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:: 31 de agosto, 2004 ::
the film

Revelo
Agora todas as minhas vontades, aqui na tua mão, olha, as minhas vontades, sob os teus olhos,
Desenovelo
Esse filme que sou eu, essa imagem P&B
-que sou eu-
E aqui na minha mão, olho, olho as tuas vontades, com os meus olhos, e elas são banhadas por todo o meu
Desvelo
E o tempo que nada revela e as coisas que estão além e mãos brancas e nuas e olhos fechados e olhos fechados e olhos fechados e olhos fechados
Relevo.
:: 30 de agosto, 2004 ::
PROMESSAS DE UM NOVO MUNDO

Quem tem acesso ao canal GNT PRECISA ver este documentário. Ele se chama Promessas de um novo mundo, e está rolando nestes dias.
*
Assisti ao programa ontem, e, puxa vida, ele me tocou profundamente. Durante 5 anos, uma equipe acompanhou sete crianças, israelenses e palestinas, entrevistando-as sobre a relação que elas (não) têm com o "outro lado", respectivamente para cada uma delas.
O resultado é que eles, os diretores, conseguem levar os dois meninos gêmeos judeus até o lado palestino (15 minutos, de carro, de onde eles moram). O que antes eram suspeitas da parte de cada criança (judeus são maus, judeus matam; palestinos são maus, palestinos explodem) se esvai em forma de brincadeiras de bola, de risadas, de abraços... e de muitas lágrimas, na hora de voltar pra casa.
Pra pensar, pra pensar muito sério, a respeito de onde é que as diferenças vêm. E para onde é que elas vão, depois do amor aparecer.
Chiara Cuore Mio

Ainda lembro, e sempre vou lembrar, de quando você nasceu. Eu toda amarrada, ali, colocaram você do meu lado, sobre meu ombro. Eu não podia colocar minha mão em você, porque minha mão estava presa na maca, então eu te lambi. É, eu te lambi, como a loba faz com o filho, eu lambi você e você abriu os olhos imensos que você tem desde bebê. Abriu os olhinhos e me olhou. Você despertou pra vida, filha, com uma lambida.
E foi assim que tudo começou, que você virou meu mundo do avesso. Que você, contrariando tudo o que a gente ouve, começou a me ensinar. Sou sua aluna, todo dia, nessa escola que é ser mãe. Dei meus primeiros passos sob a tua batuta de filha, vou aprendendo, dia a dia, a ser um pouco melhor, por você e pra você.
Sua destreza com as palavras, os jogos de sentidos, você herdou da sua mãe. Seus olhos grandes, seus pezinhos firmes, são iguais aos do seu pai. O seu carinho pelo mundo e por tudo o que vive é seu, todo seu, e sempre vai ser só seu.
Seu olhar tinge todas as coisas de cores belas e simples, e isso espanta quem está em volta. Já me disseram uma vez, "Chiara é alma". E eu concordo, 100%. E digo mais: Chiara é Cuore. 100%.
Te amo, Filha. Vai pra vida, que ela taí, de braços abertos, esperando você. E todas as suas cores.
:: 29 de agosto, 2004 ::
Teko Mio

Esse aí é o moleque que eu mais amo nesse mundo.
Faz muito tempo que estou a fim de dar um presente pra ele, um presente especial que expresse o quanto eu amo esse moleque.
Hoje tive a idéia, depois de receber um email dele. Resolvi dar pro moleque que mais amo no mundo a oportunidade de fazer o que mais amo no mundo. Simples assim. Botar ele pra escrever.
Aí gritei pro Sounds e pra Soul. E aí eles atenderam, e eu pra variar fiquei de boca aberta com o talento dessa gente. Afe.
*
E então taí. Pra todo mundo ver e ir lá comentar. O blogue do meu sobrinho-afilhado, maravilhoso. O moleque que eu mais amo no mundo.
*
Te amo muito, moleque!!!
:: 28 de agosto, 2004 ::
nada de novo
:: 28 de agosto, 2004 ::
Acho que sim, acho que vou reconhecer você quando cruzar a minha estrada. Acho que até sei que vai ser um dia nublado, assim, meio escuro, com aquele cheiro de chuva recém-caída, e eu vou estar ali, talvez comendo uma maçã, sentada numa pedra quente, olhando as nuvens pretas, do lado de uma piscina formada por uma cascata ali perto. Minha mochila, entreaberta, do meu lado direito, com meus cacarecos, meus óculos, um ou dois isqueiros, creme de girassol pros cabelos, um livro de poemas e um caderno de anotações. E você vai chegar e me perguntar as horas, e eu não vou saber porque meu relógio vai estar quebrado como sempre, e eu vou rir disso e você não vai entender.
E quando eu te olhar eu vou ver uma sombra sob seus olhos e vou achar que é da nuvem, mas depois vou ver que são os teus cílios que abanam tuas pupilas pretas e grandes que é o que faz sombra sob teus olhos. E tua boca que não vai parar de falar vai me mostrar uma grande fileira de dentes fortes e não tão claros, talvez os dentes incisivos mais marcados, e isso vai me chamar a atenção.
E quando você passar a mão nos cabelos compridos e escuros, na primeira risada que der, aí vou ter certeza que o reconheci e vou sentir felicidade, talvez mergulhar na água doce do meu lado, para comemorar do jeito certo esse encontro. E vai começar a chover e vai ter fogos de artifício como no encerramento da Olimpíada, como um final de uma coisa que também é o começo e a comemoração.
E nada disso vai ser novo, ainda, nunca mais nada vai ser novo aqui dentro de mim, porque tudo vai ser uma repetição de tudo, uma oitava acima, sempre, mas uma coisa da qual já sei o gosto e o nome e o cheiro.
E, lógico, tudo isso já aconteceu. Eu não estava, talvez. Mas sei que aconteceu.
:: 26 de agosto, 2004 ::
palavras, mentiras
E as palavras cuspidas já foram todas embora, todas tortas de sentido, pesadas de significado, não-descobertas, nunca, foram pra lá, travestidas sob o manto da pureza, pregando a verdade reverberante por aquelas estradas desgraçadas de tão vermelhas, e lá vão elas, imponentes, as palavras e as meia-palavras também, por meio de uma chuva de escárnios e escarros e pontapés de pessoas que não ouvem nada, que não enxergam nada - que não dizem palavra.
Que amam.
*
E que são inteiras por isso.
:: 22 de agosto, 2004 ::
sobre a chuva
E a tempestade veio. E emprestou o cheiro e os tons que azularam as paredes e os olhos e os bichos todos. E com ela o gosto que amarra a língua e trava pernas e reconhece, o gosto que reconhece e encontra e esmurra as barreiras e os déjà-vus. Haha, olha só. Os conceitos, todos, pelo chão.
*
E sabe que na volta pra casa, depois de toda a tempestade, naquela rua, sabe aquela?, aquela pela qual eu passo umas oito vezes por dia, então, naquela rua eu vi tanta coisa nova, tanta coisa que já existe lá há muito mais tempo do que eu mesma existo no mundo, tanta coisa que eu nunca vi.
*
Vi um lugar de pedra, de dois andares, todo pichado, com um luminoso vermelho piscante onde se lê "Bailes", e não se vê o nome porque o luminoso não acende ali. O lugar que entrega a função mas nunca entregará seu nome, olha só, e paro o carro pra enxugar uma lagriminha que teima em me obstruir a visão, e penso, esse lugar podia ser eu, olhe bem, esse lugar sou eu.
*
Sou uma mulher-lugar que por fora é de pedra, tenho coisas escritas na pele também, mas tenho bailes inteiros periodicamente ocorrendo dentro de mim, e você pergunta meu nome... aqui, veja só, eu estou com meu néon vermelho piscando tumtum, tumtum; receba minha função já definida, e meu nome a combinar.
*
Diz meu nome. Diz meu nome agora, antes do baile terminar.
:: 19 de agosto, 2004 ::
quinta fase

Voltando pra casa, hoje, lá estava ela. Assim mesmo, branca branca, bianca neve, boiando lá naquele mar escuro, acima de todos os carros que corriam como o meu, acima de todas as cabeças que voavam como a minha. Ela, soberana, serena, rindo de mim e de todos os outros angustiados dessa terra.
*
E foi então que eu entendi. E soltei o ar, e fiquei lívida eu também, e sorri pra ela.
Que não é crescente, que não é minguante, que não é cheia, que não é nascente.
Minha lua sorrinte.
:: 18 de agosto, 2004 ::
por entre as coisas
Ela tá ali, escondida embaixo da mesa nas aulas de alemão, do olhar maternal e doce da professora húngara, no meio das frases Ich esse Brot, Ich spreche mit meinem Vater, ela me olha.
Ela sai de dentro do porta-luvas do carro, enquanto dirijo pelas ruas de Pinheiros, procurando um sinal em forma de cheiro de jasmim que me anuncie que a primavera está chegando.
Ela está dentro dos livros sobre Winnicott e Jung que traduzo, ali, no meio das linhas, olha os olhos dela lá, vê?
Ela está ali. Nos tijolos da parede, na poltrona preta, no cheiro da cama.
Ela - a vontade que tenho de me apaixonar de novo, de sentir meu coração tumtum, de sentir meu peito pocotó. E se é ou não é factível ou provável, isso agora pouco me interessa. A vontade por si mesma agora se basta, agora. Este é o melhor sinal de que estou emocionalmente inteira. Não suportaria agora viver em meio a desconfianças e medos e silêncios - porque essa não seria eu, como nunca fui. Como, espero, nunca serei.
:: 14 de agosto, 2004 ::
Big Fish

Espelho, espelho meu. Existe nesse mundo filme mais mágico do que eu?
Que coisa. Que filme. Mas esperar o que de um filme que une Ewan McGregor (ele, ele, ele e o sorriso torto dele, que me dá borboletas no estômago de vontade) e Tim Burton? Nada muito diferente.
Dá vontade de entrar no filme para participar. Pra pegar as flores, abraçar o gigante, beijar muito o Ewan e conhecer a bruxa apaixonada.
Mas pensando bem, acho que é isso que eu faço todos os dias. Mesmo.
O filme - BIG FISH.
*
*
*
PS. Ewan McGregor, marry me.
:: 12 de agosto, 2004 ::
old times

Papai e Mamãe
(imagem tirada da página de fotos da minha irmã)

Eu. Quem só me olha não pode me imaginar. Não consegue, nunca, me decifrar. Passo imagens erradas pras pessoas o tempo todo. Meu rosto tem traços fortes, sou bem alta. Ao mesmo tempo, estou sempre rindo muito forte e muito alto, meu olhar não se concentra em nada e em ninguém. Sou teimosa à beça, e geralmente uso a frase "é assim, sempre foi assim" para justificar qualquer opinião minha e acabar com a discussão.
*
Mas quem conversa comigo por mais de cinco minutos já percebe que não sou nada disso. Sou sensível e chorona, rio à toa porque sou boba, sou intensa e quero acabar logo com a discussão geralmente porque quero um abraço. Movo mundos para ficar com quem amo, e nunca percebo mensagens subliminares da outra pessoa - só entendo coisas literais e claras na comunicação verbal. Meus poemas, porém, são meu mundo de fantasias e lá eu posso brincar de metáforas e metonímias, de mim mesma e de eu-outra.
*
Isso tudo só pra dizer que, dentro dessas constantes e imensas botas pretas e por trás desses cachecóis laranjas e vermelhos, sou uma menina que gosta de palavras, churrasco, beijo na boca, cheiro do outro, cinema, cavalos e água doce. Meu corpo está aqui e meu pensamento, alhures. Tenho jeito de criança mas gosto de falar a sério, sou muito nova e muito velha, e somando as duas idades e dividindo por dois não dá minha idade real. Na verdade, eu mesma não sei a minha idade e ainda estou tentando descobrir meu nome.
*
Tudo é tão simples quanto pode ser. Dizer o que se sente. Correr riscos. Gostar à beça ou jogar tudo pro alto. Fácil, simples, singelo e forte. É assim que eu quero viver.
:: 11 de agosto, 2004 ::
arrastando os móveis
Desperto.
Desperto ou adormeço, caio no sono, no sonho, no poço?
No poço dos "possos", dos "queros", dos "vamos"?
Abrir o olho devagarzinho, pra esse sol desacostumado não se espantar comigo
De novo, aqui, invadindo essa cena
De vontade e desejo e carinho, levantar pouco a pouco essa colcha
De conversa e de procura e de espera
Pra poder te ver. De novo.
De perto.
:: 09 de agosto, 2004 ::
24 horas ou um pouco mais
Espreguiça. Acorda, acorda. Outra dormidinha, uns 10 minutos, acorda de novo. Sobe 15 degraus, comida pros cachorros, água. Bronca não, hoje não, ainda cambaleio. Muita febre, sabe? Muita coisa aqui. Emails. Nada que preste, nada que eu espere com muita vontade, arquivos de pps com mensagens idiotas que me fazem ter vontade de esmurrar o computador. Respira. Tosse. Febre. Água. Pra mim, agora. Desce 15 degraus.
Filmes, filmes. Um com a Gwyneth Chata Paltrow, puxa vida, por que fazer isso com o Ted Hughes, ele merecia um filme só dele. Ted Hughes, casado comigo, é, podia dar certo, se ele não estivesse morto, se eu não estivesse... ah, viva? É, acho que sim, viva, eu, haha, enfim, Ted Hughes sim, esse sim, meu Ted. Eu já tive um ursinho chamado Ted também, de olho vermelho, um só, o outro tinha sumido, mas ah, não é do ursinho que falamos, é do Leão Hughes, é do maior poeta do mundo, aquele mesmo, que acabou num filme com a chata-paltrow, mimimi, ela fala, ele ri. Ela chora, ele vai. Ela se mata. Acaba o filme, enfim, outro filme, três histórias, fico esperando onde é que elas se encontram, elas não se encontram nunca, ah, que coisa, outro filme, por favor, espera um pouco, faço pipoca, muita manteiga, muuuuuuuuita manteiga, tchau, Atkins, vai pra lá um pouco que a gente não cabe aqui, todo mundo junto. Obrigada. Edward Norton aqui na sala, junto comigo, a cena do espelho, QUE CENA!, caramba, choro muito, ele xingando os nova-iorquinos, os americanos, as mulheres, a família, o Bin Laden, ele mesmo, e eu choro, isso mesmo, é isso mesmo, xinga mesmo, sente raiva, te salva, cara, é assim que se (sobre)vive. Haha. E o espelho diz pra ele "Fuck YOU!", e ele sabe que é com ele, e eu digo, viu só, é isso, FUCK YOU, pra largar de ser tonta, pra largar de ser assim, e choro mais, mas o filme depois acaba e eu empapada de choro e de suor e de febre e nem sei mais onde é que começa o quê. Mas sei que tudo acaba ali, no botão STOP e no travesseiro da minha filha que tá com o perfume dela e outros cheiros também, não vou pensar nisso agora, pelo amor de Deus, FUCK YOU! FUCK THE SMELL, sobe 15 degraus, que frio do cão tá aqui em cima, pega os cachorros, desce 15 degraus, vamos dormir no edredom, você aqui, você pra lá, boa noite pra você também. E já é dia seguinte, nem pisquei ainda, puxa vida, é deitando que amanhece, e olha só, já no carro, voltando pra casa, abro a Folha de S. Paulo e vejo que já existem asilos-spas, com hidromassagem e serviço médico 24h, e penso, que bom, já tenho pra onde ir um dia, naquele dia, em que eu ficar velhinha, e nada vai ser como eu achava que ia ser, porque está claro que nunca mais vai ter aquele prasempremente, e olha só, olha as velhinhas, pra jogar baralho (eu preciso aprender jogos de cartas, preciso, é urgente), pra nadar na piscina, pra rir à beça das piadas sujas que eu nem sei contar direito, mas não interessa, estaremos caducas, e me vejo pensando isso, e penso "estou fodida", paro o carro na guia e choro como um bebê, FUCK YOU, FUCK IT ALL, falo bem baixinho, é melhor eu anotar tudo isso e contar pro meu analista, porque minha mente anda me dando uns capotes ultimamente e não me deixa lembrar de nada mais, nada que eu precise lembrar.
*
Resolvo afastar todas as lembranças e cheiros e imagens que me vêm à mente, ligando o rádio do carro. Que rádio? O carro ainda não tem rádio, essa é uma das coisas que eu sempre esqueço e só lembro quando a mão bate no painel preto e liso. E o espaço desse post devia conter coisas engraçadas e criativas, hoje, uma bela história, um texto bem-escrito, mas hoje não deu, hoje não dá, as coisas são assim, sabe? 24 horas de uma vida não é nada, amanhã talvez música, amanhã talvez cheiros, amanhã talvez um filme que me faça rir.
Que me faça rir.
:: 07 de agosto, 2004 ::
hiding from the pain

Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Reconheço o meu pesar:
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Quase acreditei na sua promessa
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa
É a verdade o que assombra,
O descaso o que condena,
A estupidez o que destrói.
Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais.
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
E sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
:: 06 de agosto, 2004 ::
o barulho das águas
Aqui, no último andar, tem os barulhos. Tem os barulhos da casa das máquinas, aqueles que me assustam e aos meus cachorros, de madrugada, quando eu sempre sonho que estou num metrô a céu aberto e faz aquele barulho tatchammmm, e os cachorros latem e eu abro os olhos e vejo meus tijolos e demoro um pouco a entender que saí do sonho e que foi só o elevador que chegou em algum lugar - longe de mim.
E tem o barulho das águas, que eu não sei o que é. Aqui do lado dos tijolos, o barulho das ondas do mar. Não quero saber ou entender o que é isso, desse sonho não acordo ainda. Imagino que ali, do lado de lá dos tijolos, os peixes vão pra lá e pra cá, batendo nos cascos de navios, lambendo limos, soltando bolhas.
Sem amor, mas com os peixes, talvez por enquanto eu durma mais tranquila. Sobre os trilhos do metrô.
:: 05 de agosto, 2004 ::
sobre tanta coisa
Olha, é muita coisa.
Primeiro, e encerrando o assunto aí de baixo: recebi tantos emails e mensagens de msn (né, Madeu???).
Longe de mim ser feminista. Longe, mesmo. Me sinto até bem machista em certos aspectos (pronto, processem-me).
Mas é que tem coisas que, mesmo, são tão diferentes entre uma mulher e um homem. Né? Eu acho que sim.
E tem coisas que me dão nos nervos, quando eu leio ou vejo. Gente que, por não saber DIZER coisas ENGASGADAS, não saber cuspir os cadáveres ali, embatumados dentro da garganta, acabam com sua própria vida.
Sim, literalmente - ou quase isso.
Pessoas tão próximas de mim. Se acabando, acabando com sua vida. E isso pra mim é devastador (mas isso, logicamente, é um defeito meu).
Homens que eu amo, meus amigos, meus irmãos, minha paixão - estes últimos posts NÃO SÃO pra vocês. Não é meu namorado, não é meu amigo. É uma coisa um pouco mais que isso. É um homem interior, aqui dentro do peito. Complicado demais falar sobre isso - e também acho que nem vale a pena. O problema é cá dentro.
*
Mudando de assunto. Vão assistir a Fahrenheit 9/11. TAPA NA CARA.
De tanta coisa, de tanta gente. Tapa na cara inclusive desse "homem interior" que a gente tem - essa coisa agressiva, autodestrutiva se não cuidada. Essa coisa que devora.
*
Então é isso. Vou cuidar da minha febre, porque em se falando de coisas que devoram, estou sendo consumida. Cuidem-se. E apaguem a luz depois.
:: 04 de agosto, 2004 ::
então...
... calma. Calma, calma.
Não é que eu ache isso de homens. Assim, homens-homens mesmo.
Acho isso de homens autoproclamados, sem certificado de registro na Humanidade. Entendem? Apenas isso.
*
E são poucos os que têm. Creiam-me. Poucos.
*
Alguns até têm falsificado, sabem? Sabem, sim. Eu já vi alguns desses.
*
Enfim. Minha nota mental é paradoxal, mas é isso, preciso me lembrar sempre desse paradoxo. Um paradoxo que nunca foi tão verdadeiro:
DEIXAR DE SER EGOÍSTA. COMEÇAR A PENSAR MAIS EM MIM.
*
Ecco.
:: 02 de agosto, 2004 ::
homens
HOMENS NÃO PODEM CONVERSAR.
HOMENS SÃO COVARDES.
*
obrigada.
desculpem, mas é isso que eu acho, à 1h da manhã.
quem quer, fala.
quem é covarde, cala.
thanks
:: 01 de agosto, 2004 ::
decor
É, eu virei do avesso.
Porque foi um co(r)po que já estava quase vazio e já não está mais.
Mas vai estar de novo, porque eu me estudo, sabe?
Eu me estudo e eu me aprendo.
E agora a matéria está cada dia mais fácil.
*
Só que ainda não me sei decor.
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Acredito na força dos cavalos. Pocotó, sabe?
Gosto da cor da laranja e do cheiro da baunilha.
Sei que sentimentos têm força, a maior força do mundo.
Não enxergo tudo o que quero, e minha miopia é metáfora disso.
Amo até o fim, sempre, incondicionalmente.
Acho que vou ser feliz, aos poucos.
E nas touradas, sempre, sempre, sempre, torço pelo touro.
*
Feliz daquele que tem cavalos morando no peito.
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